Psicóloga fala sobre Depressão: Assunto muito sério

Psicóloga fala sobre Depressão: Assunto muito sério

Segundo estudos realizados pela Escola de Saúde Pública de Harvard e pela Organização Mundial de Saúde (OMS) a depressão ocupa o primeiro lugar em termos de impacto econômico em países de renda alta e média, perdendo apenas para as doenças cardíacas e aids.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) apostava que o problema seria responsável por 9,8% do total de anos saudáveis desperdiçados pela humanidade lá em 2030. Pois não é que essa estimativa foi alcançada já em 2010, duas décadas antes do previsto? Atualmente, 400 milhões de pessoas convivem com o distúrbio no planeta. Além de liderar a lista das doenças mais incapacitantes, a melancolia sem fim gera gastos na casa dos 800 bilhões de dólares por ano — o equivalente ao Produto Interno Bruto da Turquia. (Dados da Revista Saúde da Ed. Abril).

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Veja alguns dados sobre este transtorno:

  • Metade das pessoas que passa pela depressão nunca tem a doença diagnosticada ou tratada
  • Atinge 1 em cada 5 – 19% a 25% da população
  • Mais de 10% das pessoas que têm depressão se suicidam.
  • A cada geração tende a se apresentar em idades mais precoces
  • Grandes chances de apresentar outros transtornos interligados como: síndrome do pânico, transtorno de ansiedade generalizada, fobia social, etc.

Como saber se estou apenas triste ou desenvolvendo a depressão

Aspectos da tristeza:

  • Tem um motivo justificável e a pessoa sabe porque está triste (morte de alguém querido, término de um relacionamento, mudança impactante em algum aspecto da vida, etc);
  • É temporária e diminui à medida que o tempo passa ou que o motivo da tristeza se afasta;
  • Há sintomas como vontade de chorar, sentimento de impotência, desmotivação e angustia.

Aspectos da depressão:

  • Não tem uma causa que justifique os sintomas, sendo comum a pessoa não saber o motivo da tristeza e achar que que tudo está sempre ruim, ou se tem algum motivo a tristeza é desproporcional aos acontecimentos ou ao tempo que determinado acontecimento ocorreu.
  • É persistente, dura a maior parte do dia e todos os dias, por pelo menos 14 dias;
  • Além do sentimento de tristeza intensa, há perda do interesse por atividades agradáveis, energia diminuída, pensamento suicida, baixa autoestima e sensação de culpa. *Informações tiradas do livro: Mentes depressivas – Ana Beatriz Barbosa Silva.

Um aspecto simples para avaliar na distinção entre tristeza e depressão é a autoestima da pessoa, por todos os ângulos da vida o deprimido se sente uma pessoa desprezível e perdedora.

Veja alguns sintomas que indicam que você possa estar com depressão

  • Distúrbios do sono
    A insônia está ligada diretamente à depressão. Embora nem todas as pessoas que sofram de insônia estejam deprimidas, a grande maioria dos deprimidos sofre de insônia, especialmente aquela em que de desperta durante a madrugada e não se consegue mais dormir. Outro tipo de insônia comum entre as pessoas que sofrem de depressão é aquela em que se dorme por longas horas, mas o sono não é reparador.
  • Distúrbios alimentares
    A inapetência ou o excesso de apetite também podem estar ligados à depressão. Em geral, as pessoas que sofrem de anorexia e de bulimia, por exemplo, estão deprimidas.
  • Melancolia
    O indivíduo deprimido está sempre triste e sem vontade de fazer coisa alguma. Em alguns casos, momentos de melancolia são intercalados por momentos de euforia. Os indivíduos que sofrem disso são os chamados “maníaco-depressivos”.
  • Autoflagelação
    Mesmo sem perceber, o indivíduo deprimido parece querer infligir sofrimento a si mesmo. É muito comum, também, que a depressão cause problemas ao sistema imunológico, e o indivíduo adoeça.
  • Pensamentos mórbidos
    A pessoa deprimida pensa muito em morte – não necessariamente em suicídio. Esses pensamentos não devem ser incentivados, mas precisam ser compreendidos. *Informações retiradas da Associação Brasileira de Psicologia (ABP).

A depressão tem tratamento?

Tem sim, porém quanto mais rápido acontecer a percepção de que algo não está bem e a tomada de algumas medidas, mais fácil a chance de reestabelecimento, pois sabe-se que, a partir da primeira crise grave, as chances de recaídas ficam em 50%, já a partir da segunda as chances são elevadas para 70%, posteriormente para 90% e se chegar a quatro episódios, a chance de ter novamente é 100%, por isso o ideal é não se permitir ter nenhuma primeira crise mais elevada.

Veja quais são os tipos de tratamento:

  • Acompanhamento com um psiquiatra e utilização de medicamentos para reestabelecimento orgânico do corpo.
  • Psicoterapia com um psicólogo especializado para que haja um reestabelecimento integrado do indivíduo.
  • Eletroconvulsoterapia: indicado para alguns tipos de depressão. Geralmente é utilizado quando as medicações não surtiram efeito ou quando há excesso de efeitos colaterais das mesmas. Outras circunstâncias incluem gestação (pois muitas medicações podem fazer mal para o embrião/feto), ou quando há algum tipo de risco iminente para o paciente (ideação suicida, por exemplo). Não é uma prática totalmente aceita pelos profissionais da área, havendo controvérsias sobre o assunto.
  • Terapias alternativas: como acupuntura, Ayurveda, pilates e yoga, dentre outras. Diante das opiniões profissionais são complementares aos tratamentos psiquiátricos e psicológicos, não podendo ser único.

Estes são os tratamentos prioritários e indispensáveis, pois são complementares, podendo procurar qualquer um dos profissionais prioritariamente.

Como saber se estou curado?

  • Prática de atividades físicas regulares
  • Alimentação balanceada
  • Sono reparador e em horários corretos
  • Aspectos relacionados a uma mente saudável, como equilíbrio ao lidar com situações do dia-a-dia e a seu próprio valor
  • Aspectos relacionados a espiritualidade, não necessariamente no sentido religioso, mas no sentido da vida.

O mais importante é estar atento, pois a depressão atinge pessoas de todas as cores, classes sociais e faixas etárias.

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